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Áreas de Vivência em canteiros de obras (II)

 

        Na coluna anterior abordei a importância das áreas de vivência em obras de construção e a responsabilidade do empregador para com as mesmas.

        Encerrei o artigo com a observação agora reproduzida:

Obs: pode ficar a pergunta: como fazer se os trabalhadores não se preocupam em manter as áreas de vivência como lhes foram entregues? Bem, este é tema para coluna futura.

        Como era esperado, leitores enviaram comentários do tipo “eu capricho nas áreas de vivência e os empregados não as mantém em condições” ou “para que oferecer áreas que logo estarão depredadas”.

        Sei que para alguns estas manifestações causam desconforto, até revolta, mas para outros espelham a realidade.

        Como proceder então?

        Sabem os prevencionistas que corretas condições de meio ambiente de trabalho somente serão alcançadas através de, inicialmente, ações de ensinamentos, palestras, treinamento e, posteriormente, ações de advertências e manifestações de autoridade, caso as anteriores não possuam êxito.

        Como dito no artigo anterior “dar condições de trabalho não é um favor, é uma obrigação do empregador”, também é realidade que áreas de vivência corretas colocadas a disposição dos trabalhadores provocarão reação voltada para sua conservação, ao contrário de áreas de vivência com falta de limpeza, áreas apertadas, falta de armários ou equipamentos sanitários em número insuficiente provocarão seu mau uso.

        Cabe então ao empregador disponibilizar no canteiro de obras áreas de vivência que atendam a NR 18 e também a ele cabe orientar e fiscalizar o correto uso das mesmas, providenciando sua constante limpeza e manutenção.

        Cabe aos empregados fazerem bom uso das áreas de vivência mantendo-as limpas e fisicamente intactas em sua construção e nos aparelhos a sua disposição.

        É possível que alguns leitores discordem, mas tenho a firme convicção de que cabe aos dirigentes do sindicato laboral desenvolver campanhas junto a seus representados sobre a importância do bom comportamento dos mesmos no uso diário das áreas de vivência.

        Cabe ao sindicato laboral visitar as obras verificando, primeiro, se o empregador cumpriu com suas obrigações legais quanto às áreas de vivência e, segundo, se os empregados estão usando e mantendo corretamente as mesmas.

        Resumindo é possível afirmar que este é um tema ligado tanto ao empregador como aos trabalhadores, relação esta passível de dificuldades no início, quando nem a empresa apresenta instalações de uso comum corretas nem os trabalhadores usam estas de forma ordeira e organizada.

        Com absoluta certeza o trabalhador terá comportamento correto (alguém poderá dizer civilizado) se a ele forem entregues áreas de vivência que apresentem as condições exigidas pelas normas vigentes.

        Ao finalizar cabe relembrar aos profissionais prevencionistas que atuam em obras de construção civil e pesada, Engenheiros e Técnicos em Segurança do Trabalho, que o conceito de saúde está intimamente ligado ao estado de bem estar físico, mental e social do trabalhador, conceito que será degradado se áreas de vivência deles não merecer atenção especial na apresentação e no uso.

        Portanto, áreas de vivência em canteiro de obra são de responsabilidade de empregador, empregado, sindicato laboral e Engenheiro e Técnico de Segurança do Trabalho.

        Algumas afirmações aqui registradas certamente serão passíveis de discussão e aprovação/reprovação, sendo o que importa é determinar como abordar este assunto junto a todos os personagens que dele se integram ou participam.

        Esta discussão é um desafio.

Qual será o resultado final?

        Como sempre o contraditório será bem vindo.

 

Revista CIPA



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