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Áreas de Vivência em canteiros de obras.

 

Organização, conforto e higiene das Áreas de Vivência são importantes na fixação da mão de obra em uma empresa de construção.

 

         Antes de abordar tema ligado ao título desta coluna cabem algumas observações referentes à mão de obra em empreendimentos da construção civil e suas conseqüências.

  A mão de obra de algumas funções, com ênfase para carpinteiros e ferreiros, está cada vez com mais idade, ou seja, em várias regiões do país carpinteiros e ferreiros não são mais jovens e sim trabalhadores com média de idade acima de trinta e cinco anos.

         Um dos motivos pela falta da mão de obra, apesar de serem ofertados inúmeros cursos de qualificação e integração à construção civil, faltam alunos para ingressar nesta atividade industrial.

         Deixando de lado outros importantes fatores vamos abordar aquele ligado ao título do artigo: Áreas de Vivência.

         Pergunto ao leitor: quantas obras conhece em que as áreas de vivência estão em perfeita organização e limpeza oferecendo conforto a seus usuários?

         Refiro-me, principalmente, a sanitários e locais de refeições sem esquecer dos vestiários.

         Compare o leitor as áreas de vivência de uma obra de construção civil e de uma indústria estabelecida e verá a diferença.

         É comum, muito comum, encontrar sanitários imundos, chuveiros em locais úmidos com pisos escorregadios, refeitórios sem o mínimo conforto para uma refeição decente e sem marmiteiros para aquecimento de comida e vestiários sem armários e/ou cabides para colocar roupas e toalhas de banho recém usadas.

         Oferecer trabalho para jovens acima de dezoito anos em obras de construção civil mostrando a eles locais onde permanecerão grande parte do dia com as condições acima é afugentar candidatos.

         Cabe a observação de que não são todas as construtoras que apresentam este quadro, mas cabe lembrar que estas são muito poucas no universo de obras existentes em todos os cantos do país.

         Voltando ao  tema, áreas de vivência atendendo o que é determinado pela NR 18, Norma Regulamentadora que trata das Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção, serão áreas que não afugentarão candidatos a trabalho na construção e mudarão a opinião extratificada das pessoas em geral que consideram obra um local “sujo”.

         Hoje com as condições favoráveis existentes para a construção de novos empreendimentos a construção civil necessita de dezenas de milhares de novos trabalhadores, oferecendo salários acima de muitas outras categorias profissionais que não enfrentam problemas de falta de mão de obra.

         Nova pergunta que pode surgir: por que esta abordagem em coluna que trata de construir com segurança?

         Por óbvio podemos garantir que ao melhorar as condições de trabalho, entre elas as condições das áreas de vivência, estaremos garantindo, também, condições de segurança por contar com trabalhadores satisfeitos com o ambiente que encontram para passar grande parte do dia.

         Nova pergunta: de quem é a responsabilidade por garantir corretas condições às áreas de vivência?

         Novamente por óbvio, aos profissionais prevencionistas, ou seja, engenheiros e técnicos de segurança do trabalho, responsáveis pela elaboração e implantação do PCMAT, e não deixando a cargo de administrativos como almoxarife ou apontador.

         Aos prevencionistas cabem ações que levem à segurança e proteção da saúde dos trabalhadores estando aí incluídas condições de higiene e conforto em todas as instalações dos canteiros de obras.

          Para encerrar fica registrado o fato de que não mais podemos aceitar que trabalhadores da construção civil não possuam locais de refeições, sanitários e vestiários (em algumas obras alojamentos) com poucas, ou nenhuma, condição para uso humano, sendo a responsabilidade de implantação e fiscalização destas condições direcionadas a engenheiros e técnicos de segurança do trabalho.

         Economizar nestes locais é perder mão de obra qualificada, ficar atrás na concorrência com outras empresas que oferecem condições idéias e perder em produtividade de sua mão de obra, bem como estar sujeito a autuações frente à fiscalização oficial.

         Dar condições de trabalho não é um favor é uma obrigação do empregador.

         (Obs: pode ficar a pergunta: como fazer se os trabalhadores não se preocupam em manter as áreas de vivência como lhes foram entregues? Bem, este é tema para coluna futura).

         Como sempre o contraditório é bem recebido. 

 

 

Revista CIPA - Edição 387

 



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