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O Técnico de Segurança do Trabalho e sua relação com os trabalhadores

   O título pode causar estranheza aos leitores, mas frente à realidade que tenho encontrado atrevo-me a tecer comentários a respeito visando discussão sobre o tema.


   Todos sabemos que é intensa a procura por Técnicos de Segurança do Trabalho no atual cenário de produção elevada por parte de todo o tipo de indústria, com ênfase para a indústria da construção civil.


   Também sabemos que existe um grande número de escolas preparando estes profissionais.


   Sabemos também que os que se habilitam para este curso são, na maioria, jovens que depois de formados irão para o seu primeiro emprego.


    A procura por técnicos, maior que a oferta, é do conhecimento dos jovens que passam a buscar este título, incentivados pelo período curto do curso frente a tantos outros existentes, bem como a possibilidade de conseguirem estágio ainda quando estiverem cursando o primeiro semestre.


   Como o curso de Técnico de Segurança do Trabalho é genérico para todas as atividades sua carga horária é incompatível com o extenso número de títulos que devem ser abordados na formação dos alunos, fato que leva, muitas vezes, os professores a uma abordagem superficial dos temas, sem a profundidade que os mesmos deveriam ter para o completo domínio dos assuntos abordados.


   Como exemplo podemos tomar o conteúdo voltado para a indústria da construção civil e perguntar: quantas horas um aluno tem com assuntos específicos da construção? Qual a carga horária destinada ao conhecimento da NR 18?


   Sabemos que a resposta será referente a uma carga horária pequena e incompatível com quem deve dominar o tema.


  Alguns leitores devem estar pensando “nenhum curso possui carga horária que contemple o pleno conhecimento do tema”.


   Correto, mas faça este leitor uma análise consciente e verifique se a carga horária do Curso de Técnico de Segurança do Trabalho é compatível com a responsabilidade que o egresso terá na proteção de trabalhadores.


    Quem sabe criar cursos de extenção?


   Este é um assunto para muitas horas de discussão que envolve a participação de diversos profissionais e entidades.


   Mesmo protelando esta abordagem sobre a carga horária não podemos, nós profissionais ligados à SST, nos furtar de discutir os ensinamentos e conceitos passados aos alunos no tocante a relação Técnico de Segurança do Trabalho / Trabalhador.
O Técnico é um líder e a ele cabe desenvolver ações, as mais variadas, na proteção de seus liderados, ações estas que envolvem comunicação escrita e, principalmente, verbal, envolvendo, em expressão simples, relações humanas.
Estão os alunos, em sua maioria muitos jovens, preparados para liderar e se fazerem entender de forma clara e amistosa pelos trabalhadores cuja integridade precisam preservar?

    A relação Técnico de Segurança do Trabalho e trabalhadores tem que ser clara, responsável e aceita por ambas as categorias.

    Em muitas empresas, novamente com ênfase para obras de construção, o Técnico é visto como empecilho, às vezes inimigo, para o trabalhador que acha as exigências do primeiro um fator que atrasa sua produção e atrapalha sua atividade profissional.


   Cabe ao Técnico conseguir que o trabalhador o veja como parceiro, quem “sabe anjo da guarda”, e que sua função é proporcionar ambiente de trabalho saudável e seguro em todos os momentos.

    A relação sadia será obtida sempre que o Técnico receber, em sua formação, conhecimentos para o bom trato entre pessoas, entre comandante e comandados, entre líder e liderados.

    Estão os Técnicos de Segurança do Trabalho egressos recentes do curso aptos a desenvolver corretamente esta relação?


    A resposta fica por conta de cada professor, aluno ou técnico.


    Pessoalmente creio que ainda falta nos cursos uma visão maior sobre a necessidade de ampliar a carga horária dirigida para desenvolvimento da relação pessoa/pessoa entre Técnico de Segurança do Trabalho e Trabalhadores.


    Em síntese, ficam aqui dois temas para discussão: a carga horária do curso de Técnico de Segurança do Trabalho e a formação dos alunos quanto a Relações Humanas.


    Para aqueles que crêem que está correto o sistema atual, tudo bem, para aqueles que acharem necessárias modificações nos itens citados partam em busca das melhorias que acharem necessárias.


    Este é o desafio e, como sempre, aceita-se o contraditório.



 "Artigo publicado em Coluna assinada pelo Eng. Ussan na edição no. 377 da Revista CIPA.”



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